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Por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro

Interesse dos EUA pela Groenlândia remonta ao século 19: entenda o que está por trás disso O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-...

Por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro
Por que Trump diz que a Groenlândia é vital para construir Domo de Ouro (Foto: Reprodução)

Interesse dos EUA pela Groenlândia remonta ao século 19: entenda o que está por trás disso O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira (14) que a Groenlândia é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir sobre o território americano até o fim de seu mandato. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Groenlândia diz que 'presença militar' foi reforçada na ilha e seus arredores em parceria com aliados da Otan Foi a primeira vez que Trump falou abertamente sobre a razão que o vem fazendo insistir na ideia de anexar a ilha, que é um território autônomo da Dinamarca. Até então, ele vinha dizendo apenas que a Groenlândia era essencial para a segurança internacional, e que Rússia e China poderiam tomar o controle da ilha caso os EUA não o fizessem. Mas por que Trump precisa da Groenlândia para construir o Domo de Ouro? Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico. Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país. Eram cerca de 10 mil militares durante o auge da Guerra Fria; agora são menos de 200. Como é a rota mais curta para um míssil balístico russo atingir o território continental americano, a Groenlândia poderia servir como uma das bases terrestres para interceptores de mísseis que fazem parte do sistema do Domo. A localização da ilha também é estratégica porque, além de estar cercada por várias rotas marítimas importantes, ela está situada na chamada lacuna GIUK, um corredor naval entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido que liga o Oceano Ártico ao Atlântico. Com o derretimento do gelo no Ártico devido às mudanças climáticas, novas rotas de navegação estão sendo abertas, o que pode reduzir drasticamente o tempo de viagem por mar entre a Ásia e a Europa. Infográfico mostra a posição estratégica da Groenlândia Editoria de Arte/g1 Os EUA desejam instalar radares para fortalecer sua capacidade de vigilância em todo esse corredor, rota de passagem para embarcações chinesas e russas que Washington deseja monitorar. "Os EUA precisam de acesso ao Ártico, e hoje não têm muito acesso direto. A Groenlândia, por outro lado, oferece uma quantidade enorme. Precisam de defesas aéreas cada vez mais próximas da Rússia para combater armas de última geração que não são defensáveis ​​com os recursos disponíveis atualmente e a Groenlândia também proporciona isso", destacou Clayton Allen, chefe de operações da Eurasia Group, uma consultoria de risco político, à emissora americana CNBC em entrevista. Esses dois são os principais fatores que transformaram a Groenlândia, aos olhos do governo Trump, como um posto avançado remoto essencial para o futuro dos EUA, com implicações comerciais e de segurança. Para além das implicações militares, a ilha também possui vastas reservas inexploradas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras - recursos essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias de Defesa, produtos importantes para os EUA. O que é o Domo de Ouro? O "Golden Dome" - Domo de Ouro, em português - é um sistema de defesa antimísseis inspirado no Domo de Ferro de Israel e que foi anunciado por Trump em maio do ano passado. O projeto é avaliado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão, e está em desenvolvimento pelo Pentágono. Trump disse que quer concluí-lo até o final do mandato, em 2029. Assim que assumiu o mandato, em janeiro de 2025, Trump assinou um decreto para levar o projeto adiante. Entre as justificativas, elencou que os EUA sofrem ameaça de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro e estabeleceu que o país adotaria o objetivo "da paz pela força". Cartazes mostram simulação de como será o Domo de Ouro AP Photo/Mark Schiefelbein Como o Domo de Ouro funcionaria? O Domo de Ouro foi concebido para ser capaz de detectar e parar mísseis em todos os quatro estágios principais de um possível ataque: detectá-los e destruí-los antes do lançamento interceptá-los no estágio inicial do voo pará-los no meio do caminho no ar detê-los nos minutos finais enquanto descem em direção a um alvo Em agosto, ao apresentar o projeto a 3 mil empreiteiros do setor de Defesa em Huntsville, no Alabama, o Pentágono contou que ele ainda estava nos estágios iniciais e justificou o encontro dizendo que desejava coletar informações "para dar suporte" aos próximos passos. A agência Reuters teve acesso às informações que foram disponibilizadas pelo governo Trump. Veja abaixo: O Domo de Ouro incluirá quatro camadas: uma baseada em satélite e três em terra, com 11 baterias de curto alcance localizadas nos Estados Unidos continentais, Alasca e Havaí. A primeira camada ficará baseada no espaço para alerta e rastreamento de mísseis, bem como sua defesa. As três camadas terrestres serão formadas por interceptadores de mísseis, conjuntos de radares e, potencialmente, lasers. Os EUA operam bases de lançamento GMD no sul da Califórnia e no Alasca. O plano adicionaria uma terceira base no Centro-Oeste para combater ameaças adicionais. Esta nova base iria abrigar interceptadores chamados NGI, de última geração, que fariam parte da "camada superior" junto com o sistema THAAD (Defesa Terminal de Área de Alta Altitude). Um dos principais objetivos do sistema Golden Dome é neutralizar alvos durante a chamada "fase de impulso" — o estágio inicial e previsível da trajetória de um míssil enquanto ele ainda está subindo pela atmosfera terrestre. O projeto busca implementar interceptadores baseados no espaço, capazes de reagir mais rapidamente e interceptar mísseis inimigos com maior eficiência. As últimas linhas de defesa, chamadas de "camada inferior" e "Defesa de Área Limitada", contarão com novos radares e sistemas já existentes, como o sistema de defesa antimísseis Patriot. Além disso, será implantado um novo lançador, projetado para disparar interceptadores atuais e futuros contra todos os tipos de ameaças.